Durante a realização da 1.ª Conferência Prisma Económico – Finanças Sustentáveis, que decorreu a 6 de março de 2026, na Academia BAI, em Luanda, o director regional da empresa Sun África, destacou-se no evento com a abertura do painel dedicado ao pilar Ambiental (E) do ESG – Ambiental, Social e de Governação.
ESG E PRINCÍPIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Giza Gaspar Martins referiu que o tema se encontra intimamente ligado ao seu interesse pessoal e percurso profissional. Explicou que o ESG assenta num conjunto de princípios do desenvolvimento sustentável, com destaque para a responsabilidade alargada do produtor e o princípio da precaução.
O dirigente esclareceu que as instituições financeiras, ao desempenharem funções de intermediação na cadeia de produção de bens e serviços, assumem uma responsabilidade comparável à do produtor. O princípio da precaução impõe, segundo ele, uma postura preventiva, com integração destes princípios nas práticas, nos processos e na cultura organizacional.
PAPEL DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NA SUSTENTABILIDADE
Giza Martins sublinhou ainda que as instituições financeiras e bancárias exercem uma influência relevante sobre a sociedade e a economia. Nesse sentido, defendeu que estas entidades têm a responsabilidade e a oportunidade de promover boas práticas sociais e económicas, incentivar a sustentabilidade, mitigar riscos e contribuir para a internalização das externalidades positivas.
PRINCIPAIS DESAFIOS AMBIENTAIS GLOBAIS
No que respeita às grandes crises ambientais, destacou três áreas prioritárias: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição.
As alterações climáticas constituem, segundo referiu, um risco que ultrapassa a questão das emissões de gases com efeito de estufa, com impacto directo em sectores como a agricultura, devido à alteração dos padrões climáticos, exigindo uma abordagem de gestão de risco adaptativa.

Relativamente à biodiversidade, salientou o seu papel essencial na estabilidade dos ecossistemas e na eficiência das economias, referindo o exemplo da polinização das abelhas e o seu impacto na produtividade agrícola. Quanto à poluição, chamou a atenção para a poluição plástica e para os poluentes orgânicos persistentes, como o mercúrio utilizado na extracção de ouro em Angola, que contaminam águas subterrâneas e entram na cadeia alimentar, representando riscos relevantes para instituições financeiras expostas à cadeia de valor.
IMPLEMENTAÇÃO DO PILAR AMBIENTAL NAS INSTITUIÇÕES
O director regional da Sun África fez saber que a aplicação do pilar Ambiental deve ocorrer tanto no plano interno, através das práticas e processos das instituições, como no plano externo, promovendo valores de sustentabilidade na sociedade.
REGULAÇÃO, MÉTRICAS E CRIAÇÃO DE VALOR SUSTENTÁVEL
Com base nisso, explicou ainda que, apesar das orientações regulatórias variarem entre países e da existência de diferentes níveis de exigência por parte dos investidores, as métricas de sustentabilidade devem resultar da visão, dos valores e das políticas de responsabilidade social de cada instituição, independentemente do enquadramento regulatório local.
“Giza Martins defendeu que instituições como o Banco BAI devem ir além do cumprimento formal das exigências, criar valor com propósito e promover boas práticas de ética, integridade e inovação, integrando a experiência do cliente numa abordagem orientada para a sustentabilidade.”
Por fim, agradeceu ao Banco BAI S.A., pelo convite para conduzir o painel dedicado ao pilar Ambiental (E) do ESG.