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Pilar da governação em evidência na apresentação de Daniela Simão

No decurso da 1.ª Conferência Prisma Económico – Finanças Sustentáveis, realizada em março do ano em curso, na Academia BAI, a Administradora Não Executiva do Banco Nacional de Angola, distinguiu-se com a apresentação do pilar G (Governação) do ESG, subordinada ao tema “Regulamentação, Compliance e Inovação em Mercados Regulados”.

Na sua intervenção, Daniela Simão foi amplamente reconhecida pelo público, tendo merecido fortes aplausos e rasgados elogios.

De acordo com a experiente na matéria, para compreender a Governação basta uma única palavra: protecção. As organizações necessitam de mecanismos que garantam a sua viabilidade económica, sustentem as agendas ambiental e social e assegurem o crescimento, expansão e reputação.

A moderadora destacou que a preservação da reputação exige sistemas eficazes de protecção, assentes numa estrutura sólida de governação. Esses sistemas permitem orientar decisões, reduzir riscos e assegurar a continuidade das organizações ao longo do tempo.

RISCOS E TOMADA DE DECISÃO NUM CONTEXTO DE POLICRISE

A profissional sublinhou que o contexto actual é cada vez mais complexo e competitivo, marcado por uma era de policrises, em que múltiplas crises ocorrem em simultâneo e influenciam a tomada de decisão.

Com base no relatório Global Focus on Risks 2025 do Instituto Internacional de Auditoria Interna, que convida todos a ler anualmente, referiu que os principais riscos deverão manter-se relevantes nos próximos cinco anos, destacando três:

  • Cibersegurança como risco principal. Quem é que sabe estar num ambiente de ciberespaço? Onde é que começa e termina? “Nós não sabemos. Os nossos líderes também a maior parte deles ainda têm algumas incertezas. Mas a verdade é que nós temos de decidir, porque estamos expostos a riscos que vão fazer com que as nossas empresas que têm 10, 20 ou 30 anos desapareçam”, realçou.
  • Continuidade do negócio, que significa que cada vez vai ser mais difícil garantir que uma empresa consiga resistir ao tempo.
  • Capital humano `o talento´, que cada vez mais precisa de ser especializado para ter a capacidade de sustentar as organizações.

Salientou que, apesar das incertezas e da dificuldade em delimitar riscos — especialmente no ciberespaço —, os líderes precisam tomar decisões que podem impactar directamente a sobrevivência das organizações.

SUSTENTABILIDADE, TALENTO E CAPACITAÇÃO

Da esquerda para direita: Naiole Cohen, Membro do Conselho Fiscal (BAI, S.A.) Daniela Simão, Administradora Não Executiva do BNA Márcia Costa, Administradora (NOSSA Seguros)

A sustentabilidade foi apresentada como sinónimo de viabilidade — a capacidade de uma organização se manter resiliente, sólida e duradoura.

Neste contexto, a Administradora Não Executiva do BNA defendeu a formação de profissionais altamente qualificados, o desenvolvimento de competências resilientes e a capacitação desde a base organizacional.

Reforçou ainda que o capital humano surge, assim, como um elemento central para apoiar líderes na execução de estratégias e na concretização das agendas ESG (Ambiental, Social e de Governação).

“Reforçou ainda que o capital humano surge, assim, como um elemento central para apoiar líderes na execução de estratégias e na concretização das agendas ESG (Ambiental, Social e de Governação).”

CLAREZA DE PAPÉIS E EXECUÇÃO ESTRATÉGICA

Um dos grandes desafios identificados está na execução das estratégias definidas pelas lideranças. Muitas das vezes, quem executa não participou na definição da visão, o que exige clareza, alinhamento e comunicação eficaz.

Daniela Simão destacou a importância de:

  • Definir responsabilidades entre Conselho de Administração, técnicos e demais actores;
  • Clarificar os limites de actuação nas agendas ambiental e social;
  • Estabelecer critérios e prioridades de médio e longo prazo.

Enfatizou ainda que os líderes tomam em média várias decisões por dia, o que evidencia a complexidade do processo decisório. “Isto é duro e complexo. Então, mais uma vez, nós precisamos de protecção”, sublinhou.

GOVERNAÇÃO NA PRÁTICA: MAIS DO QUE DOCUMENTOS

“A Administradora Não Executiva do BNA alertou que a governação não deve ser confundida com burocracia. Mais do que documentos, trata-se da capacidade de materializar a visão estratégica.”

A Administradora Não Executiva do BNA alertou que a governação não deve ser confundida com burocracia. Mais do que documentos, trata-se da capacidade de materializar a visão estratégica.

Comparou este processo à produção de um filme de Hollywood: existe um guião bem definido, mas a sua execução pode revelar-se desafiante. Nas organizações, o mesmo acontece — existem regulamentos e políticas, mas nem sempre são eficazmente implementados.

Defendeu que o sistema de governação deve assentar em três pilares fundamentais:

  • Pessoas – responsáveis pela criação, execução e supervisão;
  • Regras e regulamentos – Que orientam e funcionam como bússola estratégica;
  • Sistemas informáticos – que aumentam a eficiência e libertam espaço para a criatividade.

Daniela Simão destacou ainda a importância da criatividade como elemento essencial para transformar a visão em realidade.

LONGEVIDADE DAS ORGANIZAÇÕES AFRICANAS

Um dos maiores desafios apontados é garantir a longevidade das organizações africanas, com o objectivo de alcançarem cem ou mais anos de existência, de acordo com a profissional.

Para isso defende que são necessários sistemas de protecção sólidos, profissionais qualificados e decisões alinhadas com o propósito organizacional.

Reforçou que todas as organizações nascem com um propósito, e que o grande desafio é manter esse alinhamento ao longo do tempo.

COMPLIANCE, ÉTICA E RESPONSABILIDADE ORGANIZACIONAL

Sobre isto, a Administradora Não Executiva do BNA destacou o papel do compliance e da ética na sustentabilidade empresarial. A continuidade das organizações depende do comportamento dos profissionais e da sua responsabilidade no desempenho das funções.

Sublinhou também a importância de explicar aos clientes o papel dos fiscais, promover a transparência e reforçar a responsabilidade no cumprimento de normas.

Concluiu que o compromisso individual e colectivo é essencial para garantir a viabilidade económica e a sustentabilidade das organizações a longo prazo.

Prisma Económico

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