Na 1.ª Conferência Prisma Económico – Finanças Sustentáveis, realizada em março na Academia BAI, Sérgio Calundungo, Coordenador do Observatório Político e Social de Angola, iniciou a apresentação do pilar Social (S) do ESG com uma abordagem marcadamente profissional, destacando que o ambiente constitui a base de toda a actividade económica. Sublinhou, de seguida, o papel essencial do pilar Social enquanto elo entre as dimensões ambiental e económica do ESG (Ambiental, Social e Governação), reforçando a importância de uma governação orientada por decisões éticas, sustentáveis e centradas nas pessoas.
O AMBIENTE COMO ALICERCE DO ESG
Sérgio Calundungo realçou que tudo o que se faz ocorre no ambiente — seja na terra, na água ou no ar — o que torna a base fundamental da chamada pirâmide do ESG. Segundo o profissional, ao analisar o ESG sob esta perspectiva, torna-se claro que não existe actividade económica fora do ambiente, sendo este o seu alicerce essencial.
ESG: TENDÊNCIA OU NECESSIDADE?
Destacou ainda que, em muitas abordagens ao ESG, existe a percepção de que se trata de uma tendência recente ou “moda”. No entanto, sublinhou que os três pilares demonstram precisamente o contrário, tratando-se de uma condição inevitável para qualquer actividade económica sustentável.
A TERRA COMO LEGADO PARA FUTURAS GERAÇÕES
Sérgio Calundungo reforçou que a Terra não deve ser vista como uma herança dos antepassados, mas sim como um legado para as gerações futuras, o que implica reconhecer que todas as operações humanas têm impacto ambiental. Neste sentido, afirmou que não há economia sem ambiente, nem produção sem recursos naturais, e que sem planeta não existe mercado, nem sequer o mercado financeiro.

O PAPEL INTERMÉDIO DO PILAR SOCIAL
Ao abordar o pilar Social, explicou que o ambiente, por si só, não toma decisões — estas são sempre resultado da acção humana, cujas escolhas afectam igualmente outras pessoas. Assim, o “S” assume-se como um pilar intermédio, onde as decisões humanas têm impacto directo no mar, na terra, no ar e na água.
DO TÉCNICO AO ÉTICO NO SECTOR FINANCEIRO
Acrescentou que o pilar Social representa o ponto em que o ESG deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ser uma questão ética, especialmente no sector financeiro. Defendeu também que qualquer decisão deve considerar três dimensões fundamentais: viabilidade económica, sustentabilidade ambiental e justiça social.
“Para o moderador, a governação tem como função principal equilibrar os conflitos constantes entre os interesses sociais, económicos e ambientais.”
INCLUSÃO FINANCEIRA COMO PONTE
Numa perspectiva mais técnica, referiu que a inclusão financeira influencia directamente aspectos como o emprego, a protecção contra riscos, o acesso a serviços e a capacidade de aquisição das pessoas, funcionando assim como uma ponte entre o ambiente e a economia.
O PAPEL DA GOVERNAÇÃO
Sobre o pilar da Governação, explicou que este está relacionado com a forma como são tomadas as decisões, definidas as prioridades e avaliados os riscos. Para o moderador, a governação tem como função principal equilibrar os conflitos constantes entre os interesses sociais, económicos e ambientais.
QUESTIONAMENTO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS FINANCEIROS
Sérgio Calundungo questionou ainda se os produtos e serviços financeiros são verdadeiramente orientados para responder às necessidades das pessoas e se contribuem para resolver os seus problemas reais, dando como exemplo o crédito e os seguros, que devem ser avaliados não só pela sua viabilidade económica e sustentabilidade ambiental, mas também pela sua justiça social.
O SOCIAL COMO CRITÉRIO ESSENCIAL
Concluiu defendendo que o pilar Social não deve ser entendido como um simples discurso, mas como um critério essencial na tomada de decisões. Para o conhecedor da matéria, tudo acontece no ambiente, só ganha o verdadeiro significado quando está ao serviço das pessoas, sendo concretizado através de uma governação que as coloque no centro das decisões.