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Inclusão financeira, educação e Impacto comunitário

No âmbito da 1.a Conferência Prisma Económico – Finanças Sustentáveis, realizada em março deste ano na sala multifunções da Academia BAI, destacou-se o painel Social do pilar S do ESG, com o tema “Inclusão financeira, educação e impacto comunitário”, um dos momentos de maior relevância do debate.

Sob a moderação do doutor Sérgio Calundungo, o painel contou com a participação do Presidente da Comissão Executiva da Pay4All, Nuno Veiga, da Presidente do Conselho de Administração da Academia BAI, Dra. Noelma de Abreu, da representante da NOSSA Seguros, Dra. Albertina Napita, e da Administradora da Fundação BAI, Tchissola Mosquito.

Entretanto, o moderador, Coordenador do Observatório Político e Social de Angola, abriu o debate com uma pergunta dirigida ao PCE da Pay4all – Prestadora de Serviços de Pagamentos, S.A, focada na gestão da actividade de pagamentos móveis, carteiras digitais e outras actividades financeiras não bancárias.

CONTRIBUIÇÃO DO PCE DA PAY4ALL

Nuno Veiga começou por responder à pergunta do moderador sobre a forma como a empresa demonstra, com dados concretos, que a digitalização dos pagamentos se traduz em inclusão financeira real e não apenas em eficiência tecnológica, bem como sobre como demonstra que se trata de uma poderosa ferramenta de inclusão financeira.

Afirmou que os números não são apenas da empresa, referindo que o Banco Nacional de Angola (BNA) tem publicado dados sobre inclusão financeira e que, para os mais atentos, é possível verificar – não sabendo se já foi publicado – uma estatística muito interessante do KWiK, plataforma onde estão presentes todas as instituições financeiras, bancárias e não bancárias. Indicou que, através desses dados, se consegue perceber que, no último ano, os volumes transaccionados, principalmente por instituições financeiras não bancárias, chegam, em algumas situações, a superar os de muitos bancos.

Nuno Veiga salientou que existem outros sistemas de pagamento, como o Multicaixa, mas destacou que, especificamente no único sistema existente em Angola que interliga todos os operadores do sistema financeiro, existem pelo menos três operadores, entre os quais a Pay4all. Referiu que estes operadores actuam em nichos de mercado onde tradicionalmente não existiam serviços, encontrando-se actualmente em operação com volumes muito relevantes.

E-KWANZA E TRANSAÇÕES NO MOBILE MONEY

No caso da Pay4all, explicou que, através do e-Kwanza, produto estruturante para o Mobile Money, a empresa começou a apurar dados em meados de outubro de 2025 e que, até ao final de fevereiro de 2026, já tinha transaccionado 1,4 mil milhões de kwanzas. Fez saber ainda que 30% deste valor provém dos mercados, salientando a dimensão significativa deste montante, e esclareceu que não se trata de mercados compostos por pessoas bancarizadas, mas sim por pessoas que anteriormente tinham de recorrer a serviços financeiros bancários para adquirir determinados serviços.

“Acrescentou, referindo que o sistema informal é bastante organizado, existindo grossistas e distribuidores retalhistas, bem como um conjunto de pessoas responsável pela recolha do dinheiro no sector informal e pela entrega aos produtores.”

Acrescentou, referindo que o sistema informal é bastante organizado, existindo grossistas e distribuidores retalhistas, bem como um conjunto de pessoas responsável pela recolha do dinheiro no sector informal e pela entrega aos produtores. Nuno Veiga acrescentou que muitos produtores não estavam em Luanda, mas sim no Huambo e em Benguela. Referiu que essas pessoas, apesar de não estarem directamente incluídas no sistema bancário, tinham cálculos definidos. Explicou que existia um ponto no sistema financeiro em que ponderavam depositar no banco A ou B, acrescentando que esse dinheiro passou a ser transaccionado através da Pay4all.

IMPACTO NA SEGURANÇA E CONFIANÇA FINANCEIRA

O PCE esclareceu que, no que dizia respeito à inclusão, o principal contributo foi a segurança. Sublinhou que se tratava essencialmente de senhoras muito batalhadoras, mas bastante expostas devido aos volumes que tinham de transaccionar diariamente. Fez saber também que o primeiro impacto consistiu em transmitir confiança, uma vez que, pela proximidade da Pay4all — que estava presente nos mercados que elas frequentavam —, encontravam um contentor cor de laranja e reconheciam a presença constante, faça chuva ou sol, confiando assim na empresa.

Nuno Veiga afirmou que essas senhoras começaram a levar os seus fundos e a efectuar depósitos, passando posteriormente a integrar o sistema financeiro. O dirigente esclareceu que o impacto real foi a protecção financeira e o reforço da segurança dessas mulheres, acrescentando que se verificou também uma redução dos tempos de pagamento entre elas e os fornecedores, o que aumentou a confiança e conduziu a um maior volume de transacções.

O dirigente reforçou que a prova disso residia no facto de, recentemente, se ter triplicado a frequência das operações de recolha e movimentação de valores, devido ao elevado volume de depósitos, sobretudo no mercado do Quilómetro 30, no município do Sequele. Referiu ainda que, nos últimos meses, a Pay4all passou também a estar presente nos mercados do Kicolo e da Quissala. Porém, afirmou que a Pay4all procurou estar presente mercados que fazem a diferença, designadamente os chamados mercados abastecedores das províncias de Angola.

O responsável da empresa referiu que outro pormenor muito importante foi criar o hábito da poupança como forma de investimento mais seguro, explicando que, como as senhoras não tinham onde guardar dinheiro, tinham de efectuar compras e aquisições de produtos em prazos muito curtos, o que dificultava a negociação de preços. Referiu que, ao começarem a fazer depósitos, passaram a conseguir juntar valores maiores e, ao negociar, conseguiam obter melhores condições. O PCE admitiu que não existem dados específicos para partilhar, mas acreditava que alguns preços nas casas da empresa não subiram tanto porque essas clientes conseguiam comprar melhor.

INCLUSÃO DE JOVENS E LITERACIA FINANCEIRA

Nuno Veiga acrescentou que a Pay4all também tem dado atenção aos jovens, pois acredita muito no seu potencial. Referiu que, nos últimos dois anos, a empresa tem desenvolvido várias iniciativas, principalmente em colaboração com a Associação de Estudantes das Universidades Privadas, em feiras de empreendedorismo, com o objectivo de partilhar formas seguras de ganhar dinheiro. O responsável explicou que, ao mesmo tempo, a necessidade de recrutar agentes para o negócio proporcionou aos jovens uma fonte de rendimento que não prejudica a sua formação académica e oferece alguma segurança para ajudar os familiares. Destacou que a maioria dos universitários possui uma literacia financeira bastante evoluída em relação à restante população, podendo transmitir às suas famílias e comunidades formas de criar poupança, gastar, pagar e utilizar dinheiro não físico de forma segura. Reforçou também que este é um processo contínuo e que a Pay4all tem parcerias com instituições de grande dimensão que cobrem o país inteiro, incluindo a Associação dos Escuteiros no final de 2025.

APOIO LOGÍSTICO E SOCIAL A ESCUTEIROS

“São mais de vinte mil escuteiros. Eles têm um propósito muito social e comunitário, e a Pay4all tem apoiado a sua actividade. Como a actividade dos escuteiros não pode ser remunerada, a empresa apoia logisticamente as suas acções. Desta forma, eles prestam um serviço à sociedade e também à empresa, ao partilhar informação importante sobre literacia financeira e explicar como os produtos da Pay4all podem ajudar. Ao mesmo tempo, a empresa ajuda-os a expandir o seu âmbito de actuação pelo país inteiro”, esclareceu.

CAPTAÇÃO DE CLIENTES E IMPACTO ECONÔMICO

Nuno Veiga afirmou que, nos últimos meses, a Pay4all conseguiu atingir níveis de captação elevados com equipas muito reduzidas. Registaram-se nove mil clientes, dos quais noventa por cento não tinham conta bancária. Ele afirmou que, mais uma vez, a empresa está a ter impacto porque estão a trazer as pessoas para o sistema, a criar segurança, a estabelecer princípios de poupança e, naturalmente, a apoiá-las nos seus investimentos. “Uma nota: quanto à viabilidade económica, ainda não estamos lá, vamos ser sinceros! Para sermos economicamente viáveis, alguns princípios e políticas têm de ser alterados”, reconheceu.

LIMITAÇÕES DO ECOSSISTEMA E NIF

Por outro lado, o PCE da Pay4all disse que, como é também o director-geral da Associação das PSPs, o organismo chegou a apresentar o NIF ao BNA, mas que existiam pequenas alterações que teriam de ser feitas para transformar todo o ecossistema. “Enquanto o ecossistema não mudar, surgem limitações devido aos volumes necessários. Uma marca precisa de grandes volumes, e quando há pessoas que não conseguem obter bilhete de identidade, e sem bilhete de identidade não têm NIF, e sem NIF não têm acesso a microcrédito, o processo torna-se inviável”, alertou.

PERSPECTIVAS PARA 2026

Painel S: Doutoras Tchissola Mosquito, Albertina Napita, Eng.o Nuno Veiga e o Doutor Sérgio Calundungo

No entanto, o dirigente destacou o grande esforço do Banco Central e também da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira, e manifestou a sua crença de que 2026 seria um ano diferente, com o aparecimento das primeiras PSPs com projectos viáveis.

DESEMPENHO DA PAY4ALL E EVOLUÇÃO DO MOBILE MONEY

De acordo com Nuno Veiga, a Pay4all já se encontra em resultado positivo, “mas, honestamente, ainda não está no Mobile Money. Contudo, trata-se de um processo. Costuma dizer-se que o caminho se faz caminhando, e acreditamos que o país, assim como está a abrir os olhos para este tema, também irá abrir para a inclusão financeira e encarar a área de forma diferente”, realçou.

MATURIDADE E ESTRATÉGIAS DO GRUPO BAI

Nuno Veiga afirmou que, como um dos filhos mais novos do Grupo BAI, a Pay4all, apesar de terem pouco mais de dois anos de actividade, a experiência mostra que, como em tudo, é necessário algum grau de maturidade. Explicou que já possuem exemplos muito práticos: em várias áreas, existe o que chamam de “colégio de harmonização”, ou seja, estratégias comuns que são depois convertidas em programas com acções concretas.

“Uma nota: quanto à viabilidade económica, ainda não estamos lá, vamos ser sinceros! Para sermos economicamente viáveis, alguns princípios e políticas têm de ser alterados”, reconheceu.

ALINHAMENTO EM COMPLIANCE E CIBERSEGURANÇA

Referiu ainda que, na área do compliance, desde o Tejo até ao rio Cunene, todas as empresas do grupo têm um alinhamento das práticas, princípios e abordagens relacionadas com compliance, gestão de risco, sistemas de informação e cibersegurança. Sublinhou que, enquanto grupo financeiro, e considerando que a maioria dos membros provém da indústria financeira, têm integrado nas políticas internas os princípios do grupo para a cibersegurança, gestão de sistemas de informação, arquiteturas e outras áreas relacionadas.

CULTURA DE SUSTENTABILIDADE NO GRUPO BAI

Nuno Veiga acrescentou que, neste momento, ao analisarem todos os planos estratégicos das empresas do Grupo BAI, verificam que contêm iniciativas nos diferentes eixos, não por se tratar de uma moda, mas porque sentem que é importante e desejam ter impacto social, governação transparente e práticas económicas amigas do ambiente. Estas práticas já fazem parte da cultura do grupo e reflectem-se na actuação de cada membro na sua especialidade.

PRÓXIMOS PASSOS E INCLUSÃO FINANCEIRA

Quanto ao futuro, o dirigente indicou que o próximo passo será realizar alguns alinhamentos. Explicou que estão a trabalhar de forma mais directa na inclusão financeira, pelo que faz sentido alinhar os produtos que a seguradora está a desenvolver, de modo a criar mais valor. Acrescentou que também será importante alinhar com os outputs da Academia BAI e do ISAF – Instituto Superior de Administração e Finanças – preparando pessoas que possam ajudar a operacionalizar estas iniciativas.ntou que também será importante alinhar com os outputs da Academia BAI e do ISAF – Instituto Superior de Administração e Finanças – preparando pessoas que possam ajudar a operacionalizar estas iniciativas.

FORMALIZAÇÃO DO ALINHAMENTO ESTRATÉGICO

Da esquerda para direita: Albertina Napita, Directora (NOSSA Seguros), Noelma de Abreu, PCA (ABAI), Nuno Veiga, PCE (Pay4all)

Acrescentou que o grupo se aproxima de um momento em que provavelmente surgirá um colégio de harmonização ou outro tipo de arranjo formal, permitindo perceber que, para além de fazerem parte do mesmo grupo, as práticas estão devidamente alinhadas. Nuno Veiga salientou que, se não for em 2026, será no próximo ano que demonstrarão, numa conferência, como se encontra esse alinhamento e a materialização desta intenção. Enfatizou que, se todos os princípios estão plasmados de forma transparente nos planos estratégicos e nas acções do grupo, isso já demonstra progresso. Contudo, considera importante avançar nesta fase para uma formalização do alinhamento.

CONTEXTO E COMPROMISSO DA ACADEMIA BAI COM A SUSTENTABILIDADE

A Presidente do Conselho de Administração da Academia BAI (ABAI), Noelma de Abreu, na sua primeira intervenção, respondeu à questão do moderador do painel Social sobre o que a instituição tem feito em termos de impacto para que o pilar Social deixe de ser apenas um discurso e passa a ser um critério efectivo nas finanças.

A responsável destacou que o próprio contexto do BAI, enquanto banco, já demonstra um compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento do país ao ter a iniciativa e visão de criar uma instituição de ensino. Ao fazê-lo, a Academia BAI estaria, portanto, a contribuir de forma concreta para a economia e o desenvolvimento, dando um sinal claro de responsabilidade social e de vontade de gerar impacto positivo.

A responsável referiu, por outro lado, que o contexto angolano apresenta aspectos importantes a considerar, lembrando que já existiu o Plano Nacional de Formação de Quadros 2013-2020 e, actualmente, vigora o instrumento Angola Capital Humano 2023-2037. Este último possui sete programas de acção, nos quais a Academia BAI contribui em quase todos.

ÁREAS DE FORMAÇÃO: TÉCNICO-PROFISSIONAL, GRADUADA, PÓS-GRADUADA E EMPREENDEDORISMO

Relativamente ao ensino técnico ou profissional, embora não seja exactamente a área principal da Academia, existem algumas acções de formação que se enquadram neste domínio. Quanto à formação profissional, esta constitui a base da criação da instituição. Em relação à formação graduada, o Instituto Superior da Academia oferece licenciaturas, prestando contributos relevantes. Segue-se a formação pós-graduada, que inclui investigação científica e outros tipos de estudos, bem como a formação de professores e formadores, a formação na Administração Pública e Municipal, e a formação em empreendedorismo e desenvolvimento empresarial.

INTEGRAÇÃO DA FORMAÇÃO COMPORTAMENTAL E ÉTICA

Noelma de Abreu afirmou que, ao analisar os sete programas de acção do instrumento Angola Capital Humano, a Academia BAI não só contribui para a qualificação ao nível da formação profissional, com o número de formandos inicialmente previstos e com foco na formação técnica, como também reconheceu, desde 2015-2016, a importância de incluir a formação comportamental e o desenvolvimento de competências nesta área, assente num elemento muito relevante. Para esse efeito, tanto o professor José Octávio como o professor António Mongo participaram na introdução da formação em ética em quase todos os programas da Academia, abrangendo desde os cursos de iniciação bancária e assistentes de clientes até aos programas executivos. A responsável salientou que esta iniciativa visou trabalhar os aspectos relacionados com a atitude perante o mundo e os outros, considerando-o igualmente relevante.

QUALIFICAÇÃO ACADÉMICA E COLOCAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO

A PCA da Academia BAI reforçou que, além da formação profissional, a instituição também assegura a qualificação académica dos seus estudantes. Recordou que, em 2017, a Academia BAI iniciou com apenas 320 estudantes e duas licenciaturas. Em 2025, colocou no mercado de trabalho 286 licenciados, um resultado do qual se sentem muito orgulhosos. Sublinhou que, por um lado, a Academia forma profissionais e, por outro, contribui para a sociedade nessas dimensões.

Acrescentou que a Academia BAI introduziu ainda uma dimensão de educação e sensibilização, através de programas gratuitos destinados a questionar os participantes sobre o seu futuro e as suas prioridades, inspirando-se nas ideias do filósofo Erich Fromm sobre “ter ou ser”. Reforçou que a Academia considerou importante incentivar o “ser” e, para isso, criou uma sequência de conceitos como ser líder, ser cidadão, ser proactivo, que contribuem para a formação integral dos participantes.

LIDERANÇA INCLUSIVA E PROGRAMA WOMEN ON BOARDS

Noelma de Abreu referiu que programas como Liderança Inclusiva e Sustentável, dirigidos a governantes do país, e o programa Women on Boards, focado na inclusão feminina, resultaram numa comunidade com mais de trezentas mulheres. Este projecto pretende apoiar tanto aquelas que ainda necessitam de desenvolver competências para alcançar funções de liderança nas empresas, como aquelas que já ocupam essas posições, incentivando-as a ajudar outras a percorrer o mesmo caminho.

IMPACTO DOS PROFISSIONAIS FORMADOS E CONTEXTO POPULACIONAL

A responsável da Academia BAI considerou que, actualmente, na economia das instituições de ensino superior, colocar no mercado duzentos ou trezentos profissionais tem impacto e já altera atitudes, e que essas atitudes abrangem todos os aspectos que estavam a ser discutidos. No entanto, salientou que, tendo em conta que a população total em Angola é de trinta e seis a trinta e oito milhões, a população estudantil universitária representa apenas trezentos e sessenta e seis mil estudantes, quase um por cento da população. Destacou ainda que, na região da África subsaariana, demora-se cerca de cinco anos para entrar no mercado de trabalho, “e os nossos estudantes, sessenta e oito por cento, já estão empregados, que é um bom sinal”, assegurou.

FORMAÇÃO COMPORTAMENTAL E INDICADORES DE MEDIÇÃO

Da esquerda para direita: Sérgio Calundungo, Tchissola Mosquito, Administradora (FBAI), Albertina Napita, Directora (NOSSA Seguros), Noelma de Abreu, PCA (ABAI), Nuno Veiga, PCE (Pay4all),

A PCA da Academia BAI, Noelma de Abreu, afirmou que, ao fazer referência a A PCA da Academia BAI, Noelma de Abreu, afirmou que, ao fazer referência a certos termos, introduziu diversos programas de carácter comportamental para os estudantes e, mesmo na formação profissional, incluiu módulos voltados para atitudes e a forma como as pessoas lidam com esses aspectos. Destacou que esses conteúdos não se restringem apenas à governação, mas também visam capacitar os alunos a tomar decisões de maneira socialmente responsável, com empatia suficiente para se preocupar com os outros, além de criar indicadores para medir essas competências. A dirigente acrescentou que tais iniciativas foram incorporadas nos módulos de formação e em outros contextos. “Aquilo que muito nos orgulha e nos deixa felizes é quando ouvimos dizer que os nossos alunos são educados, comunicam bem e preocupam-se com os outros. Tenho um áudio belíssimo da Bastonária da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas a falar disso, nomeadamente sobre a inserção de alunos nossos em empresas de consultoria dessas multinacionais”, frisou.

Fez saber também que esse é um dos elementos que têm procurado acompanhar no Relatório de Gestão e Contas e no Relatório de Sustentabilidade que já elaboram, procurando medir e criar esses dados. No entanto, destacou que isso exige um estudo mais aprofundado do que aquele para o qual actualmente dispõem de tempo, razão pela qual evita fazer afirmações sem ter dados mais consistentes. Acrescentou que a preocupação existe, que os dados têm vindo a ser recolhidos e medidos. Porém, manifestou a convicção de que, dentro de um ou dois anos, poderão apresentá-los com mais propriedade.

SELECÇÃO DE PROGRAMAS E EIXO COMUM NA GESTÃO

A PCA da Academia BAI afirmou que para além dos instrumentos anteriormente referidos, a própria formação ministrada pela instituição desempenha um papel essencial, sendo os programas cuidadosamente seleccionados. Indicou, como exemplo, programas como o Business Management Program, formações em boas práticas de gestão, o MBA em Gestão em Saúde e o MBA em Soft Skills, salientando que todos integram um eixo comum centrado na gestão.

DIMENSÕES TÉCNICAS E DE GOVERNAÇÃO NA FORMAÇÃO

Explicou também que, embora alguns programas incidam sobre uma vertente mais técnica da gestão, incluindo aspectos relacionados com a prestação de contas e a qualidade do reporte financeiro e contabilístico, outros abordam igualmente dimensões como a comunicação, o marketing, a interacção com reguladores e o cumprimento das obrigações perante o Estado. Segundo referiu, todos estes aspectos estão directamente ligados à governação, à qualidade da gestão e, sobretudo, ao padrão de funcionamento e rigor que a instituição pretende assegurar no contexto do ensino superior.

EXIGÊNCIA DE QUALIDADE DE INFORMAÇÃO E REPORTE

Noelma de Abreu sublinhou ainda que, devido à ligação ao banco e ao facto de a Academia ser uma participada, existe um nível de exigência superior em termos de qualidade de informação e reporte, comparativamente a outras instituições. Acrescentou que a instituição dispõe de contas auditadas, de reporte financeiro estruturado e de uma Assembleia Geral realizada em data definida.

“Segundo referiu, todos estes aspectos estão directamente ligados à governação, à qualidade da gestão e, sobretudo, ao padrão de funcionamento e rigor que a instituição pretende assegurar no contexto do ensino superior.”

REAFIRMAÇÃO DA CULTURA ORGANIZACIONAL E TRÊS ASPECTOS FUNDAMENTAIS

Destacou também a importância da cultura organizacional, que descreveu de forma simples como sendo o modo como as coisas são feitas na instituição, defendendo que todos devem actuar de acordo com um padrão comum. Nesse sentido, identificou três aspectos fundamentais: em primeiro lugar, o papel dos líderes de topo como modelos de referência; em segundo, os critérios de recrutamento, nomeadamente o padrão de qualidade, as expectativas e o comportamento ético e técnico exigido aos colaboradores; e, em terceiro lugar, os rituais simbólicos.

PROGRAMA DE BOLSAS DE MÉRITO E REDE DE TUTORES

Referiu ainda que o programa de Bolsas de Mérito, criado no ISAF, tem vindo a crescer, tendo sido inicialmente impulsionado pelo BAI, mas contando actualmente com a participação de outras empresas e indivíduos, bem como com uma rede de tutores que contribuem para a inclusão de estudantes que, de outra forma, não teriam acesso ao ensino. Informou que, neste momento, existem setecentos e sessenta bolseiros, todos com acesso igual aos programas.

A painelista frisou também que estas iniciativas contribuem para o fortalecimento da instituição e para a sua afirmação enquanto organização de referência.

PARTICIPAÇÃO DA NOSSA SEGUROS NO PAINEL SOCIAL

A Directora de Saúde, Vida e Pensões da NOSSA Seguros, Albertina Napita, respondeu inicialmente à questão colocada pelo moderador do painel, Sérgio Calundungo, sobre a forma como os produtos da empresa reduzem a vulnerabilidade de famílias e pequenas empresas em Angola.

O SEGURO COMO INSTRUMENTO DE PROTECÇÃO SOCIAL

Tchissola Mosquito, Administradora (FBAI) e Albertina Napita, Directora (NOSSA Seguros)

Na sua intervenção explicou que o seguro, na sua forma tradicional, constitui um instrumento de protecção social, com a função de transferir e gerir riscos, protegendo a comunidade em geral e as empresas em situações de perdas, como doenças, prejuízos económicos ou mesmo perda de vida, circunstâncias que deixam muitas famílias em situações de elevada vulnerabilidade económica e financeira.

COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE E BOA GOVERNAÇÃO

Albertina Napita acrescentou que a NOSSA Seguros, no âmbito da sua estratégia, segue princípios claros relacionados com a sustentabilidade, a boa governação e o impacto social. Referiu ainda que, por ser a maior seguradora privada de Angola, a empresa assume essa responsabilidade de forma reforçada.

Relativamente às acções concretas, indicou que a empresa tem desenvolvido soluções customizadas, com custos acessíveis, adaptadas às necessidades específicas de diferentes segmentos e sectores da economia angolana, incluindo os sectores dos transportes, agrícola e informal.

INCLUSÃO DO SECTOR INFORMAL COMO ÁREA DE RESPONSABILIDADE

A painelista referiu que o seguro, tradicionalmente, oferece protecção às pessoas inseridas no sector formal e financeiro, mas que uma parte significativa da população se encontra no sector informal. Nesse sentido, acrescentou que a NOSSA Seguros passou também a considerar este segmento como uma área de responsabilidade, com o objectivo de garantir essa protecção. Foi ainda destacado que os produtos desenvolvidos visam dar resposta imediata às situações específicas enfrentadas por esses segmentos.

“Desde o ano passado temos vindo a divulgar amplamente este produto, esta solução dedicada à vida da mulher. Sabemos que uma das doenças que mais afecta a mulher actualmente é o cancro.”

PARCERIAS COM ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS (TAXISTAS E MERCADO INFORMAL)

Albertina Napita referiu que, numa fase inicial, a NOSSA Seguros procurou alcançar estes mercados e segmentos da população através de parcerias específicas com associações profissionais. Indicou, a título de exemplo, que a empresa celebrou protocolos de entendimento com a Associação dos Taxistas e com a Associação dos Vendedores do Mercado Informal, permitindo que os seus membros passassem a beneficiar de um seguro de vida.

PROTECÇÃO DAS FAMÍLIAS EM CASO DE MORTE DO TITULAR

Explicou que estes profissionais estão expostos a diferentes tipos de riscos e que, em caso de morte do titular — muitas das vezes o principal provedor da família —, a NOSSA Seguros disponibiliza, no prazo de 24 a 48 horas, um apoio financeiro às famílias, com o objectivo de assegurar o cumprimento de despesas imediatas, como o funeral, bem como outros encargos urgentes, incluindo a educação das crianças e demais custos associados.

SEGURO AGRÍCOLA PARA O SECTOR AGROPECUÁRIO

Acrescentou ainda que, ao nível da PSIU, uma associação de empresas e cooperativas que actuam no sector agropecuário, a seguradora desenvolveu um seguro agrícola ajustado às necessidades específicas dos seus membros, com um custo acessível, permitindo assegurar protecção em caso de perdas inerentes à actividade agrícola.

FUNDO DE PENSÕES PARA AGRICULTORES E EMPRESAS DO SECTOR

Por outro lado, Albertina Napita afirmou que a NOSSA Seguros também disponibiliza um fundo de pensões, com o objectivo de proteger agricultores e empresas do sector aquando da reforma. Explicou que, tendo em conta o aumento da esperança média de vida em Angola, a empresa pretende assegurar que, em situações de maior longevidade, estes beneficiários disponham de uma reforma adequada. Acrescentou que muitos destes agricultores não se encontram formalmente inscritos no sistema de segurança social, pelo que se torna relevante a existência de um fundo de pensões privado que garanta essa protecção.

Referiu ainda que estas associações reúnem mais de trezentos mil membros, pelo que, através deste tipo de parcerias, se assegura o acesso a soluções de seguros de forma simplificada, com custos reduzidos e coberturas mais alargadas.

No que respeita a um segmento particularmente vulnerável — a população mais idosa —, esclareceu que, durante a vida activa, muitos trabalhadores beneficiam de seguros e outras regalias proporcionadas pelas entidades empregadoras, como o seguro de saúde, mas que, após a reforma, deixam de ter acesso a esses benefícios. Sublinhou também que, no modelo tradicional de seguros, existem limites de idade que dificultam a contratação individual de seguros de saúde a partir dos 65 anos.

SEGURO DE SAÚDE COTA PARA MAIORES DE 65 ANOS

Albertina Napita reforçou também que, para dar resposta a esta realidade em Angola, a NOSSA Seguros desenvolveu o seguro de saúde Cota, que permite às pessoas nessa faixa etária aceder a cuidados de saúde a custos mais acessíveis. “Gostaríamos de falar também sobre o nosso Seguro de Saúde da Mulher. Desde o ano passado temos vindo a divulgar amplamente este produto, esta solução dedicada à vida da mulher. Sabemos que uma das doenças que mais afecta a mulher actualmente é o cancro. Tendo isso em conta, a NOSSA desenvolveu o Seguro de Saúde da Mulher, que assegura protecção financeira em caso de diagnóstico de cancro da mama, do colo do útero ou dos ovários”, explicou.

SEGURO DE SAÚDE COTA PARA MAIORES DE 65 ANOS

Albertina Napita, Directora (NOSSA Seguros, S.A.)

Albertina Napita reforçou também que, para dar resposta a esta realidade em Angola, a NOSSA Seguros desenvolveu o seguro de saúde Cota, que permite às pessoas nessa faixa etária aceder a cuidados de saúde a custos mais acessíveis. “Gostaríamos de falar também sobre o nosso Seguro de Saúde da Mulher. Desde o ano passado temos vindo a divulgar amplamente este produto, esta solução dedicada à vida da mulher. Sabemos que uma das doenças que mais afecta a mulher actualmente é o cancro. Tendo isso em conta, a NOSSA desenvolveu o Seguro de Saúde da Mulher, que assegura protecção financeira em caso de diagnóstico de cancro da mama, do colo do útero ou dos ovários”, explicou.

SEGURO DE SAÚDE DA MULHER: PROTECÇÃO FINANCEIRA, NUTRICIONAL E PSICOLÓGICA

Albertina Napita referiu que esta solução também prevê apoio nutricional e psicológico, sublinhando que, em caso de diagnóstico de cancro, não está em causa apenas uma dimensão física, mas também emocional. Acrescentou que, do ponto de vista psicológico, a mulher terá o devido acompanhamento e contará igualmente com o apoio para a reconstrução mamária, caso tal se revele necessário. Salientou ainda que uma parte das receitas deste seguro reverte a favor da Liga Angolana de Luta contra o Cancro, manifestando orgulho na parceria estabelecida com a instituição. Explicou que, através dessa contribuição, asseguram que as iniciativas de prevenção e combate ao cancro possam alcançar níveis mais elevados de impacto.

LITERACIA FINANCEIRA: PROJECTO NAS UNIVERSIDADES

No que respeita à literacia financeira, afirmou que a NOSSA Seguros, S.A., tem dedicado especial atenção a esta área, tendo em conta a sua actuação no sector financeiro. A dirigente da empresa indicou que foi desenvolvido um projecto de literacia financeira nas universidades, o qual já impactou mais de mil e quinhentos estudantes. Referiu ainda que a equipa tem realizado sessões em várias universidades do país, nas quais aborda temas como o dinheiro, a gestão e o planeamento financeiro. Explicou também de que forma os estudantes, ainda nesta fase académica, podem gerar rendimento extra e iniciar hábitos de poupança, incluindo poupança de longo prazo, bem como a importância dos fundos de pensões.

FORMAÇÃO DOS FUTUROS LÍDERES DE ANGOLA

Tchissola Mosquito, Administradora da Fundação BAI

Acrescentou que, embora sejam actualmente estudantes, estes jovens serão os futuros líderes de Angola, dos quais poderão emergir CEOs, ministros ou até um futuro Presidente da República. Acrescentou que a NOSSA procura dotá-los das ferramentas e do conhecimento necessários para que possam tomar decisões mais acertadas quando ingressarem no mercado de trabalho.

A painelista referiu que, tendo já sido impactados mais de mil e quinhentos estudantes, cada participante sai das sessões com o compromisso de partilhar os conhecimentos adquiridos com, pelo menos, mais uma pessoa. Explicou que, desse modo, o impacto inicial se multiplica, contribuindo gradualmente para a melhoria dos níveis de literacia financeira em Angola, que considerou ainda reduzidos.

Quanto à pergunta do moderador do painel Social a respeito da viabilidade económica de atender aos sectores mais vulneráveis da sociedade, a Directora da NOSSA Seguros, S.A., Albertina Napita, afirmou que, do ponto de vista de negócio, essa viabilidade existe. Esclareceu que, aquando do lançamento destas soluções, são realizados estudos de viabilidade, garantindo que o preço definido se ajusta aos benefícios disponibilizados às famílias e empresas.

RESULTADOS ALCANÇADOS E COMPROMISSO FUTURO

Em termos numéricos, salientou que já foram alcançadas mais de mil apólices através das parcerias estabelecidas, reconhecendo, contudo, que ainda há margem para fazer mais. Fez saber também que existem diversos projectos em desenvolvimento e que o compromisso da NOSSA Seguros se mantém na procura contínua de soluções, bem como na sua adequação às necessidades específicas do mercado angolano.

PARTICIPAÇÃO DA ADMINISTRADORA DA FUNDAÇÃO BAI

Perante a pergunta colocada pelo moderador Sérgio Calundungo sobre as iniciativas actualmente desenvolvidas pela Fundação BAI e sobre a forma de aferir, de modo mensurável, o impacto dessas acções para além do valor institucional e reputacional, a Administradora da empresa explicou que o facto de a fundação ter origem num grupo financeiro, como o Grupo BAI, facilita a resposta a essas questões. Tchissola Mosquito, a criação da fundação esteve desde o início associada ao próprio nascimento do banco, o que, no seu entender, demonstra uma intenção clara de retribuir à sociedade tudo o que foi recebido ao longo dos anos. Acrescentou que, enquanto fundação, a instituição analisa, em primeiro lugar, o Plano de Desenvolvimento de Angola antes de definir qualquer estratégia, elaborando posteriormente o seu plano estratégico com base nas necessidades reais do país.

QUATRO PILARES FUNDAMENTAIS: SAÚDE, EDUCAÇÃO, DESPORTO E CULTURA

A administradora indicou que a actuação da fundação assenta em quatro pilares fundamentais: saúde, educação, desporto e cultura. Destacou o papel central da educação, salientando que esta constitui um elemento essencial para o desenvolvimento de qualquer sector, entendimento que considerou amplamente partilhado, tanto no referido plano como entre os profissionais do terceiro sector.

Explicou ainda que foi reforçada uma componente transversal de educação nos restantes pilares, com enfoque na prevenção, capacitação e transformação, de modo a potenciar o desenvolvimento e assegurar um impacto mensurável nas áreas da saúde, do desporto e da cultura.

Tchissola Mosquito realçou que, no âmbito desses quatro pilares, dispõem de projectos estruturantes que permitem obter dados não só mensuráveis, mas também replicáveis ao longo do tempo. Acrescentou que essa abordagem possibilita alcançar os indicadores pretendidos, sublinhando que existe um interesse generalizado em conhecer os resultados e o nível de investimento realizado em cada sector.

BOLSAS DE MÉRITO: QUASE MEIO MILHÃO DE DÓLARES INVESTIDOS

A dirigente destacou o projecto das bolsas de mérito, explicando que se trata de bolsas de estudo atribuídas a estudantes do Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF).

“Neste momento temos 433 bolseiros, num montante de quase meio milhão de dólares. Portanto, é um valor considerável. Temos cem novos bolseiros anualmente. É um programa que nos orgulha muito e conseguimos ter dados palpáveis. Olhamos muitas vezes para o terceiro sector e sentimos que não somos compreendidos. O que a fundação não faz, é apoiar esporadicamente projectos ou olhar para a responsabilidade social como a visão do patrocínio pura e dura. Apoiamos sim, projectos, mas queremos que se consiga medir o alcance que isto tem ao longo dos anos”, esclareceu.

A dirigente assegurou que se trata de um trabalho mais desafiante e complexo, mas que é possível quando se compreendem as necessidades reais. Explicou que as bolsas de estudo respondem precisamente a essa necessidade de formação, capacitação e acompanhamento contínuo dos jovens. Acrescentou que, para além da formação académica, os estudantes recebem preparação em voluntariado e participam em diversas actividades ao longo do ano, de forma que, ao terminarem os estudos, não sejam apenas bons profissionais, mas também pessoas preparadas para actuar no mercado de trabalho de forma ética e responsável.

A Administradora da Fundação BAI sublinhou ainda que isso é de extrema importância e, por esse motivo, os bolseiros são de mérito; não são apenas bons alunos, mas jovens formados para actuar eticamente no mercado de trabalho. Entretanto, considerou este projecto um dos que mais orgulham a fundação, pois demonstra que o investimento continua a ser essencial nas pessoas, sendo esse impacto directamente perceptível.

BIBLIOTECAS DO CANDENGUE: PROMOVER A LEITURA DESDE A BASE

Referiu também que, para além deste projecto, a fundação desenvolve um programa de promoção da leitura nas escolas públicas, defendendo que, embora o ensino superior seja importante, é essencial actuar desde a base. Explicou que todas as acções se orientam pela informação recolhida no Plano de Desenvolvimento Nacional e que a fundação está presente em escolas públicas por todo o país. Criaram bibliotecas designadas “Bibliotecas do Candengue”, que funcionam com programas diários de preparação e formação das crianças, salientando que não se limitam a abrir bibliotecas nem a disponibilizar livros de forma estática.

“Desenvolvemos um trabalho diário com as crianças e com os professores. Este ano de 2026 vamos não só preparar os bibliotecários e os activadores sociais nas escolas, mas envolver todo o ecossistema escolar dessas instituições. Não estamos apenas em Luanda, mas também noutras províncias, pelo que o desafio é grande”, reforçou.

INTERVENÇÃO EM ZONAS RECÔNDITAS: CUNENE E UÍGE

A responsável da Fundação BAI referiu que, ao sair da zona de conforto, tudo se torna mais complexo, mas que os resultados têm sido muito positivos. Acrescentou que, para além dos projectos anteriores, vale a pena destacar as iniciativas desenvolvidas em zonas mais recônditas, nomeadamente em duas aldeias, uma na província do Cunene e outra na província do Uíge, nas quais a fundação actua de forma transversal, abrangendo não só a educação, mas também a saúde, a cultura e o desporto.

Explicou que, nessas comunidades, a fundação procura promover um desenvolvimento comunitário integral, trabalha com as crianças no ensino e cria mecanismos que permitem às comunidades ser sustentáveis e gerar recursos a partir das iniciativas implementadas. Como exemplo, mencionou a aldeia no Uíge, onde foi criada uma olaria de raiz. Embora já existisse uma comunidade a trabalhar nesta área, a Fundação forneceu ferramentas para que, sobretudo as mulheres, pudessem ver não só o campo como fonte de rendimento, mas também as artes tradicionais e o sector cultural como forma de gerar rentabilidade.

Tchissola Mosquito destacou ainda que se trata de um processo em curso, baseado na experiência obtida nos centros urbanos, que tem apresentado bons resultados e permitido, especialmente, a integração das mulheres mais jovens neste sector. Sublinhou que estas acções estão alinhadas com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) assumidos pela Fundação BAI.

PROJECTO OCIVAMBO: IMPACTO EM SETE MIL PESSOAS NO CUNENE

Administradora referiu que a instituição tem como exemplo o projecto de Ocivambo, o mais antigo, iniciado em 2013, que continua a actuar no Cunene, abrangendo não só a aldeia do Ocivambo, mas também as aldeias vizinhas, impactando cerca de sete mil pessoas naquela região.

Acrescentou que outro projecto relevante é o Caminho de Transformação, um edital criado em 2024, que permite a candidatos de todo o país submeterem projectos próprios, posteriormente avaliados e monitorizados pela fundação. Explicou que estes projectos são de total autoria dos promotores e que o edital serve para disponibilizar fundos muitas vezes necessários, sublinhando que, no terceiro sector, existem frequentemente projectos de grande impacto local desenvolvidos por instituições ou indivíduos, mas que carecem de estrutura física, financeira ou técnica para se tornarem sustentáveis.

Tchissola Mosquito esclareceu que a Fundação BAI abriu este edital para apoiar estas pequenas instituições e iniciativas, fornecendo não só apoio financeiro, mas também técnico. Indicou que são realizadas formações duas vezes por ano, no início do ano e em maio, com o objectivo de preparar estas instituições. A dirigente destacou que, embora recebam diariamente muitos pedidos de apoio financeiro, esse não é o objectivo principal da fundação. Sublinhou que, apesar de a instituição pertencer a um banco, a sua missão principal é preparar estas iniciativas de modo a torná-las projectos mensuráveis, com impacto e capacidade de replicação.

INTERVENÇÃO DA PCA DA ACADEMIA BAI

Por sua vez, a Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Academia BAI, Noelma de Abreu, referiu que a própria formação que a instituição ministra, implica a selecção dos programas. “Por exemplo, falo de um Business Management Program e de boas práticas de gestão. Se falo do MBA em Gestão da Saúde ou do MBA em Soft Skills, todos estes programas têm um eixo que é a gestão. Se por um lado estamos a falar de gestão mais técnica, mais os aspectos associados à prestação de contas, à qualidade do reporte financeiro e contabilístico, também estamos a falar da forma como comunicamos, como fazemos marketing, da forma como agimos perante reguladores e prestamos contas ao Estado e cumprimos as nossas obrigações perante o Estado”, realçou.

GOVERNAÇÃO, PADRÃO DE RIGOR E QUALIDADE DE INFORMAÇÃO

A dirigente afirmou que todos estes aspectos estão relacionados com a governação, respeito à qualidade da gestão, mas fundamentalmente com algo que tem que ver com a forma como a Academia BAI pretende ter um determinado padrão de funcionamento e de rigor dentro das instituições de ensino superior. “Nós, por termos a ligação ao banco e sermos uma participada, temos uma qualidade de informação e um tipo de reporte que é mais exigente do que muitas outras instituições que não fazem um conjunto de acções que nós fazemos. Temos contas auditadas, temos um reporte financeiro e a Assembleia Geral em data definida”, frisou.

A PCA da Academia BAI adiantou que gosta de pensar no aspecto que está associado à cultura das organizações de forma simples. Fez saber também que há três aspectos fundamentais:

  • Primeiro: a actuação dos líderes de topo como modelos de referência;
  • Segundo: quem nós recrutamos e trazemos para o barco? Que padrão é? Que qualidade? E que expectativas é? Que comportamento ético e técnico é que as pessoas devem ter?;
  • Terceiro: os rituais simbólicos.

BOLSAS DE MÉRITO: UMA REDE DE TUTORES PARA A INCLUSÃO

Noelma de Abreu reforçou que o programa de Bolsas de Mérito foi criado no ISAF. Naturalmente, há um programa que o BAI iniciou que tem este número de alunos, mas “nós já juntámos ao BAI outras empresas, e ainda temos uma rede de tutores, pessoas que, a título individual, contribuem para trazer para este plano, para a inclusão de pessoas que de outro modo não poderiam estudar. Estas pessoas são incluídas”, salientou.

Neste momento o ISAF agrupa setecentos e sessenta (770) bolseiros, e todos eles tiveram acesso aos programas de igual modo. No entanto, isto acaba por ser também algo que fortalece a instituição e os torna fortes.

Prisma Económico

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