A transição energética, risco climático e produtos “verdes” foi o tema do painel Ambiental do pilar (E), um dos três pilares do ESG — Ambiental, Social e de Governação — apresentado na 1.ª Conferência Prisma Económico – Finanças Sustentáveis, realizada a 6 de março de 2026, na Academia BAI, em Luanda.
O painel foi moderado por Giza Gaspar Martins, Director Regional da Sun África, e reuniu Deina Barros, Directora de Marketing do BAI Cabo Verde, em participação remota, Maria João Neto, ex-Directora de Sustentabilidade do Banco BAI, S.A. e Samuel Franco, Director Coordenador (Área de Originação e Estruturação da ÁUREA, S.A.).
A sessão do painel centrou-se na forma como essas três empresas integram os princípios ESG, com especial enfoque no pilar Ambiental das suas operações, particularmente no desenvolvimento de iniciativas relacionadas com a transição energética, os produtos verdes e a gestão do risco climático.
Entretanto, o moderador estruturou o debate em três segmentos: “ONDE ESTAMOS?”, “PARA ONDE VAMOS?” e “O QUE FALTA?”.
Início do debate
Giza Martins iniciou o debate com a Directora de marketing do BAI Cabo Verde, Deina Barros, questionando-a de que forma o banco tem incorporado o pilar Ambiental do ESG nas suas operações e promovido esta postura no mercado em que actua?
Energia e sustentabilidade no BAI Cabo Verde

Deina Barros respondeu que o BAI Cabo Verde (BAICV) tem alinhado, no seu plano estratégico, iniciativas orientadas para a sustentabilidade, sublinhando que esse alinhamento já ocorrera no plano estratégico anterior e que, no plano estratégico 2022-2027, essas iniciativas se tornaram mais robustas. Acrescentou que, com a integração da Política de Sustentabilidade e do Programa ESG nesse plano, a instituição passou a financiar projectos destinados à melhoria da qualidade de vida da população, bem como a implementar acções e a disponibilizar produtos e serviços que se traduzem em parcerias para o desenvolvimento nacional.
Créditos e produtos verdes
Referiu, com orgulho, que o banco foi o primeiro em Cabo Verde a lançar Soluções de Crédito Amigas do Ambiente, com vista a apoiar a transição energética do país. Indicou que a instituição dispõe de dois produtos em carteira: o Crédito BAI Energia Verde, que financia clientes particulares e empresas na aquisição de equipamentos e serviços para a microprodução de energia limpa e que, em alguns casos, beneficia de uma bonificação de 50% dos juros por parte do Governo de Cabo Verde, em alinhamento com as políticas nacionais; e o Crédito BAI Mobilidade Eléctrica, que apresenta uma taxa competitiva no mercado.
Acrescentou que este último produto permite aos clientes adquirir veículos eléctricos e postos de carregamento, incluindo ainda a possibilidade de financiar a aquisição de painéis fotovoltaicos ou sistemas eólicos, o que cria um mini-ecossistema verde de apoio à transição energética da frota automóvel.
A responsável referiu ainda que, com o objectivo de reforçar acções em prol do ambiente, o banco tem estabelecido acordos de parceria estratégica com entidades-chave do sector da produção de energia verde.
Projetos de energia renovável
Deina Barros revelou também que o BAI Cabo Verde apoiou a implementação de um parque solar na cidade da Praia, o primeiro estacionamento solar do país, que permite o carregamento de veículos eléctricos, situado por detrás da sede do banco, o que possibilita a observação diária desse investimento. Especificou que o parque dispõe de 395 painéis fotovoltaicos, com uma capacidade de 575 quilowatts pico e uma potência total de 227.125 quilowatts pico.
A directora de Marketing acrescentou que a instituição bancária afirma, com orgulho, ter financiado o maior projecto fotovoltaico do país, designadamente o parque solar fotovoltaico da Ilha do Sal, considerando-o mais uma aposta para transformar o país numa referência a nível continental.

Iniciativas internas de sustentabilidade
No âmbito da sustentabilidade ambiental, a profissional indicou que a instituição implementou diversas iniciativas que contribuíram para a redução da pegada de carbono e para a utilização eficiente de recursos. Destacou a instalação de painéis fotovoltaicos no edifício-sede do BAI Cabo Verde que, em conjunto com o parque solar anteriormente mencionado, permitiram, em 2025, uma poupança anual de cerca de quarenta e três mil euros na factura de electricidade, reduzindo o consumo de energia de origem fóssil.
A responsável acrescentou que o banco alargou o seu parque automóvel com a introdução de viaturas eléctricas, representando já 21% do total. Indicou ainda que, no ano de 2026, a instituição prevê alcançar, ainda durante o primeiro semestre, uma proporção de 50% de viaturas eléctricas no seu parque automóvel. Referiu que estas constituem as principais iniciativas de carácter estrutural no âmbito do pilar Ambiental.
Desempenho do BAI CV e abordagem preventiva
Relativamente ao desempenho, fez saber que o BAI Cabo Verde dispõe de um conjunto de produtos já no mercado, bem como de várias medidas internas associadas ao pilar Ambiental do ESG. Questionada sobre os factores que contribuíram para esse desempenho, explicou que a instituição tem adoptado uma abordagem preventiva desde 2022-2023.
Sublinhou, em primeiro lugar, o alinhamento com o Grupo BAI, referindo que, após a casa mãe, o BAI Angola, ter definido a sua política de sustentabilidade, o BAI Cabo Verde procedeu rapidamente à sua adaptação e publicação. Acrescentou que, a nível regulamentar, o banco central de Cabo Verde lançou, em 2024, a primeira consulta pública relactiva ao projecto de aviso sobre o regime jurídico da taxonomia e que, em fevereiro de 2026, foi lançada a segunda consulta pública sobre o projecto do regime jurídico para a taxonomia de sustentabilidade.
A dirigente referiu que o regulamento prevê que, a partir de 1 de Janeiro de 2028, o regime de divulgação da taxonomia se torne obrigatório para todos os bancos e sociedades gestoras de activos sustentáveis. Neste contexto, voltou a sublinhar que a instituição iniciou o seu trabalho de forma preventiva, através do desenvolvimento e da implementação de diversas iniciativas alinhadas com esses princípios, com o objectivo de assegurar que, quando o regime entrar plenamente em vigor, o BAI CV esteja preparado para cumprir integralmente a regulamentação nacional e continue a afirmar-se como um agente activo na promoção da sustentabilidade no país.
Parceria com o Governo e incentivos
Acrescentou que a criação dos produtos verdes resultou também de iniciativas do Governo de Cabo Verde.
Porém, recordou que o primeiro crédito lançado teve como objectivo apoiar a instalação de sistemas que permitem produzir energia com base em fontes renováveis, tendo essa decisão sido motivada pelos incentivos governamentais dirigidos aos clientes. Nesse contexto, o banco desenvolveu o produto Crédito Energia Verde.
Deina Barros referiu ainda que o mesmo racional esteve na origem do Crédito BAI Mobilidade Eléctrica, pensado em resposta às medidas governamentais de promoção da transição para viaturas eléctricas, permitindo assim acompanhar o programa do Governo, que também introduziu incentivos para os clientes.
BENEFÍCIOS FISCAIS E EXPANSÃO INTERNA
A participante do painel Ambiental, via remota, esclareceu que, em Cabo Verde, os clientes que adquirem viaturas eléctricas beneficiam da isenção de impostos e de taxas de desalfandegamento, o que reforçou a pertinência do lançamento de soluções de financiamento para a aquisição desses veículos e de postos de carregamento. Indicou ainda que, a nível interno, o banco prossegue o reforço das suas infraestruturas de produção de energia renovável, prevendo a instalação, ainda durante o primeiro semestre do ano, de dezasseis módulos adicionais de painéis fotovoltaicos, com vista ao aumento da capacidade de produção de energia a partir de fontes renováveis. Reiterou ainda que a instituição continua a expandir o seu parque de viaturas eléctricas.
“A responsável referiu ainda que, com o objectivo de reforçar acções em prol do ambiente, o banco tem estabelecido acordos de parceria estratégica com entidades-chave do sector da produção de energia verde.”
Carácter preventivo e preparação para fenómenos climáticos
A Directora de Marketing do BAI Cabo Verde voltou a sublinhar que o trabalho desenvolvido tem assumido um carácter preventivo. Recordou de seguida que, no final de 2025, Cabo Verde foi afectado por fenómenos climáticos inesperados, nomeadamente tempestades tropicais, tendo o norte do país sido particularmente atingido em agosto e a Ilha de Santiago em dezembro. Neste contexto, afirmou que a instituição considera estar a dar passos sustentáveis e concretos no sentido de assegurar uma preparação adequada face aos desafios ambientais.
Emissão de Green Bonds
Questionada sobre a possibilidade de o BAI Cabo Verde emitir um green bond de acordo com os padrões internacionais, indicou que a instituição acredita estar em condições de o fazer. Referiu que o banco já realizou algumas emissões, embora ainda não especificamente no segmento verde, e manifestou confiança na capacidade de responder a esse desafio.
Deina Barros acrescentou que não aprofundaria a questão técnica das emissões, por não se tratar da sua área directa, mas salientou que, com base na experiência acumulada, o banco se considera preparado.
Foco em energias renováveis e tendências do país
A dirigente destacou que, devido à dimensão do país, Cabo Verde não dispõe de barragens, pelo que a aposta em energias renováveis se concentra sobretudo na energia solar e eólica. Salientou ainda que, em 2025, cerca de 37% da energia consumida no país teve origem em fontes renováveis, considerando esse valor um marco relevante. Concluiu que o BAI Cabo Verde se mantém atento e alinhado com essa tendência.
Intervenção da Administradora da Academia BAI

Por sua vez, a Administradora Executiva da Academia BAI, Maria João Neto, iniciou a sua intervenção respondendo à questão relactiva às principais conquistas relatadas no primeiro relatório de sustentabilidade do BAI, S.A.
A responsável fez saber que o enquadramento da trajectória de sustentabilidade do banco teve início em 2021 e que a instituição tem dado passos consistentes nesse domínio. No plano ambiental, explicou que o banco iniciou a monitorização dos consumos, designadamente de energia e água, bem como a redução dos impactos ambientais. Referiu que, na primeira avaliação realizada em 2024, foi estabelecida uma linha de base que permite assegurar a continuidade dessa monitorização. Acrescentou que essa evolução se encontra reflectida no Relatório de Sustentabilidade, o qual está disponível ao público.
Maria João Neto salientou que a publicação do relatório constituiu um marco relevante, por ter reforçado o posicionamento do banco em matéria de sustentabilidade, em particular no domínio ambiental. Acrescentou que estas práticas antecederam a própria definição formal da Estratégia de Sustentabilidade, recordando que, entre 2017 e 2018, já existiam iniciativas de redução do consumo de papel, de energia eléctrica e de água, enquadradas, à época, como medidas de controlo de custos, mas que, na prática, correspondiam já a uma abordagem sustentável. Manifestou orgulho por esse percurso, sublinhando que muitas das acções desenvolvidas desde então contribuíram para os actuais resultados em sustentabilidade.
Inventário de emissões e energia fotovoltaica
Recordou ainda que, em 2025, o banco realizou o seu primeiro inventário de gases com efeito de estufa e procedeu à primeira medição da pegada de carbono, limitada ao âmbito um, explicando que este processo decorre de forma faseada, gradual e devidamente estruturada.
Indicou também que, em 2021, o banco iniciou a introdução de centros de autoatendimento, contando actualmente com dez unidades totalmente abastecidas por energia solar, e que existe uma previsão de crescimento de 10% para 2026, admitindo, contudo, que esse valor poderá ser superado, tendo em conta o ritmo de execução da instituição.
Financiamento sustentável e capacitação
Relativamente ao financiamento sustentável, Maria João Neto referiu tratar-se de uma área em que a instituição se encontra em fase de capacitação, com vista à sua entrada no mercado de forma sólida. Revelou que já foi estabelecida uma parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para apoiar esse processo de capacitação e o desenvolvimento de uma estrutura adequada.
A Administradora Executiva da Academia BAI acrescentou que existe a ambição de o banco se tornar o primeiro a emitir green bonds. Salientou ainda que, entre os principais marcos, se inclui o início da análise da gestão do risco ambiental, com base numa matriz desenvolvida anteriormente, mas que continua a ser aperfeiçoada, de modo a melhor servir a sociedade.
Sustentabilidade nos produtos e cultura organizacional
Em resposta à questão do moderador Giza Martins sobre a incorporação da sustentabilidade ambiental aos produtos existentes, explicou que o trabalho interno em curso, incluindo a integração da sustentabilidade na cultura organizacional, tem sido conduzido com prudência, atendendo ao facto de se tratar de um tema ainda em fase de aprendizagem para muitas pessoas.
Adiantou que a instituição procura reforçar este tema internamente, sublinhando que, à semelhança do princípio adoptado no BAI Angola (BAI, S.A) de que todos são comerciais, independentemente da área em que actuam, o mesmo se aplica à sustentabilidade.
Promoção externa da sustentabilidade
Acrescentou que, para promover a sustentabilidade externamente, é essencial que exista conhecimento interno sólido. Indicou ainda que a estratégia do banco contempla a promoção da temática ambiental junto dos clientes, com especial enfoque em segmentos considerados críticos, estando previstas diversas iniciativas por parte da direcção de marketing com esse objectivo. No que respeita aos green bonds, salientou que a instituição prossegue o seu processo de capacitação.
“Fez saber também que, nesta fase, o objectivo do banco consiste em afirmar-se como líder na promoção da sustentabilidade, reiterando a ambição de vir a ser o primeiro a emitir este tipo de obrigações.”
Pergunta da plateia e resposta da oradora
Quanto à questão colocada por Romão Chitunda, estudante finalista do ISAF – Instituto Superior de Administração e Finanças, sobre a forma como o banco pretende posicionar-se como referência regional em finanças sustentáveis, num contexto em que a transição energética constitui também uma oportunidade de liderança económica para Angola, a Administradora Executiva da Academia BAI respondeu que, no âmbito ambiental, o enfoque recai sobre os instrumentos “green”, centrados essencialmente na eficiência energética.
Recordou também que, no debate, foi abordado o tema do greenwashing, sublinhando a importância de assegurar que a emissão de green bonds implica a afectação dos recursos a projectos efectivamente verdes, sob pena de se incorrer nessa prática. Acrescentou que a posição da instituição assenta numa abordagem gradual, baseada na aquisição de competências sólidas, de modo a garantir segurança e rigor nas decisões.
Enquadramento regulamentar e liderança
Maria João Neto destacou ainda a relevância do enquadramento regulamentar, referindo que as instituições financeiras necessitam de orientações claras para definir o seu posicionamento. Fez saber também que, nesta fase, o objectivo do banco consiste em afirmar-se como líder na promoção da sustentabilidade, reiterando a ambição de vir a ser o primeiro a emitir este tipo de obrigações.
Introdução e papel da ÁUREA no mercado

Para a ÁUREA – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, S.A., o moderador do painel Ambiental “E” do ESG, Giza Martins perguntou: qual na vossa opinião são as oportunidades para a instituição no mercado angolano? Em resposta, o Director Coordenador da empresa começou por referir que a empresa tem tido um papel preponderante no mercado financeiro, liderando quase todas as emissões que foram feitas até então, sejam elas de capital ou de dívida. O responsável acrescentou que a ÁUREA e o Banco BAI, S.A. têm efectivamente assumido uma grande preponderância no que é o mercado de capitais actualmente em Angola.
Sustentabilidade e preocupações ESG
O dirigente prosseguiu afirmando que o tema da sustentabilidade é efectivamente uma matéria que lhes suscita alguma preocupação, uma vez que, nos dias de hoje, já sofrem, ou pelo menos já sentem, que muitos investidores, nomeadamente internacionais, olham para a questão ESG. Referiu ainda que, com a última emissão que o BAI realizou recentemente, e que foi muito bem-sucedida, já surgiram questões relactivamente à componente ESG e à posição do BAI face a estes temas.
Samuel Franco clarificou que o BAI, actualmente, tem uma postura muito orientada para o cumprimento destas obrigações, salientando que é necessário que exista um incentivo por parte do Estado. O profissional salientou que é necessário haver um compromisso para que as coisas aconteçam, mas que também é preciso existir algum tipo de incentivo, dando como exemplo o que já aconteceu em Cabo Verde, onde houve incentivos ao mais alto nível, do Estado, para que se conseguisse concretizar essas iniciativas.
Binómio investidor e colocador
Referiu ainda que, ao abordar o binómio investidor e colocador, importa perceber, acima de tudo, que, na ausência desses incentivos, surge um problema: o investidor não investirá num produto verde sabendo que este apresenta uma taxa de rentabilidade inferior à de outros produtos disponíveis no mercado. Acrescentou que esta análise tem de ser feita, explicando que, ao colocar um produto verde, cumpre-se a vertente ambiental e outros requisitos, mas é igualmente necessário considerar o que está do outro lado, isto é, o cliente.
Samuel Franco observou que um investidor poderá questionar por que razão aplicaria o seu dinheiro para obter apenas dez por cento de retorno num produto verde, quando existem outras oportunidades no mercado que oferecem vinte por cento, por exemplo. Por isso, defende que é necessário aliviar esta questão. O responsável considerou que é precisamente neste ponto que deve existir algum tipo de apoio, para que se compreenda efectivamente que se está a contribuir para o planeta e para a sustentabilidade, em linha com os objectivos propostos, mas sem ignorar que o cliente final fará sempre uma ponderação entre diferentes níveis de rentabilidade.
“Nós temos tido várias interações com clientes internacionais que buscam este tipo de investimento, embora também já tenhamos identificado que existem algumas adversidades relactivamente, isto é, sempre os governos que acabam por mandar nisto.”
Apelou também que, na economia actual, tendo em conta a inflação existente, é necessária uma grande sensibilização para que estes produtos consigam afirmar-se.
Procura por produtos verdes e exemplo internacional
Sobre a questão do moderador do painel, Giza Martins, se existe procura por produtos desta natureza, Samuel Franco respondeu: “Existe. Nós temos tido várias interações com clientes internacionais que buscam este tipo de investimento, embora também já tenhamos identificado que existem algumas adversidades relactivamente, isto é, sempre os governos que acabam por mandar nisto”, atirou.
Deu como exemplo o facto de a BlackRock, uma das maiores gestoras de activos do mundo, ter deixado de investir em produtos verdes, sublinhando que é necessário compreender exactamente o que está a acontecer e definir uma orientação clara. Acrescentou que os objectivos são positivos e correspondem ao que se pretende alcançar, mas é fundamental haver direcção, considerando esse aspecto importante.
Concluiu que todos devem trabalhar para o mesmo fim e que não pode haver opiniões divergentes, afirmou o director coordenador da ÁUREA.
Preparação do mercado angolano para Green Bonds
Por outro lado, a estudante do Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF), Dalva Filipe, questionou-lhe: em que medida, de forma prática, o mercado de capitais angolano está preparado para estruturar, emitir e negociar os instrumentos referidos, nomeadamente a green bonds, bem como outros, como o social bonds ou sustainability-linked bonds?
Samuel Franco respondeu: “Temos de perceber uma coisa: um green bond não é diferente de uma obrigação que já exista no mercado. Juridicamente, um green bond não é diferente de uma obrigação emitida por outra instituição. Tem de cumprir, ou pelo menos procurar cumprir, um determinado propósito. Se temos condições em Angola para o fazer? Sim, temos. Existe legislação e formas de regulamentar. Temos a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que é a entidade que regula o sector, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), enquanto agente de mercado, e nós, enquanto intermediários financeiros. Claro que existem condições. Conseguimos fazer com que isto aconteça e, provavelmente, o BAI pode vir a ser o pioneiro numa emissão deste género. Mas sim, a resposta é que temos condições para o fazer. Atenção que um green bond não é algo diferente de uma obrigação. Tem um nome mais pomposo, é verdade, mas as condições são, no essencial, iguais para todos”, finalizou.